Hoje quero apresentar um pouco mais sobre as tartarugas marinhas, animais que não nos oferecem o menor risco e que ainda sim estão ameaçadas de extinção graças à algumas atividades do homem.
Répteis marinhos com características migratórias, havendo 7 espécies espalhadas pelo mundo, dentre elas, 5 encontram-se no litoral brasileiro (Tartaruga verde, Tartaruga cabeçuda, Tartaruga de pente, Tartaruga Oliva e Tartaruga de couro). As demais espécies são endêmicas, vivem num determinado local (Natador depressus, vive aos redores da Austrália e, Lepdochelys kempii, vive ao redor do golfo do México).
As tartarugas marinhas existem a mais de 150 milhões de anos, considerados animais pré-históricos, sobreviveram a todas as transformações que ocorreram no nosso planeta, porém só com interferência do homem, entraram em risco de extinção.
De cada 1.000 tartarugas que nascem, apenas uma ou duas atingem a idade adulta e reprodutiva, isso é uma característica natural das espécies, que se adaptaram ao longo dos anos (como quantidade de ovos, locais de postura e o próprio ninho), para superarem essas dificuldades, que não são poucas.
As tartarugas marinhas vivem o tempo inteiro submersas e em constante movimento, o que dificulta o estudo de seu comportamento. Apenas as fêmeas voltam a terra, somente para postura dos ovos.
Após a postura, começam a surgir as características únicas desse animal, que o tornam fantástico. A temperatura da areia é o fator que determina o gênero do filhote, sendo assim, acima dos 29°C, nascem fêmeas; abaixo de 29°C, nascem machos e; na média dos 29°C, nascem meio a meio. Um fator variável e totalmente dependente do meio ambiente (mais um motivo do qual a interferência do homem pode ser prejudicial). Após isso, na eclosão dos ovos, os filhotes nascem geralmente a noite ou pela madrugada, eles são orientados até o mar, através do reflexo da luz da Lua refletido no mar. Esse fenômeno é conhecido como "fototropismo positivo". Por essa característica, hoje em dia, é extremamente proibido a presença de iluminação artificial em praias onde ocorre desova de tartarugas, pois como já aconteceu, os filhotes ao nascerem acabam indo na direção errada, e acabam morrendo (atacados por presas, atropelados, ressecados...). Ao atingirem o mar, os filhotes são capazes de nadar por dias seguidos sem parar, devido a grande energia armazenada do ovo (vitelo). Nos primeiros anos de vida, as tartaruguinhas vivem a deriva, boiando a evitando o máximo o perigo do mar aberto.
Na fase adulta, são altamente migratórias, tendo um senso de orientação muito preciso. Estudos mostram que as tartarugas são capazes de marcar pontos específicos no oceano, e nadarem ao seu redor e voltam a esses mesmos pontos com muita facilidade. Um exemplo para comparar essa característica, é como se as tartarugas encontrassem um local ideal para alimentação, e fizessem um "check-in". Outro fator importante para o deslocamento delas nos mares, são as correntes marinhas, além de um senso de direção "norte-sul", assim como aves migratórias. No Brasil, temos o projeto TAMAR, que trabalha a 30 anos para a conservação das tartarugas, e nos anos de estudo, foi confirmado que animais marcados no Brasil, foram encontrados na costa africana e outros no litoral caribenho, mostrando a diversidade de migração das tartarugas marinhas. As tartarugas atingem a maturidade sexual por volta dos 25 a 30 anos de idade, e mesmo na imensidão dos mares, sempre se reagrupam na mesma praia onde nasceram para o ritual de acasalamento.Até hoje, não se sabe ao certo como elas conseguem retornar a um local mais de 20 anos depois, após de viajarem por mar aberto.
Os hábitos alimentares variam de acordo com a espécie, podendo ser algas, moluscos, crustáceos ou medusas... a tartaruga verde por exemplo, até atingir 30cm, consome pequenos crustáceos e insetos marinhos, acima disso, alimentam-se exclusivamente de algas. Já a tartaruga de couro, alimenta-se exclusivamente de medusas a vida inteira.
Na fase adulta, praticamente não tem predadores, até mesmo pelo tamanho e pelo casco que as protege. Porém em mar aberto, são muitas vezes capturadas acidentalmente como fauna acompanhante de diversos tipos de artes de pesca. Presas em uma rede, acabam morrendo por asfixia. A pesca hoje é o principal risco a vida das tartarugas marinhas, mas existem outros também, como a iluminação artificial de praias onde ocorre desova, o tráfego de veículos nessas praias também, pois além do risco de atropelamento, compactam a areia, dificultando a saída dos filhotes após eclosão dos ovos. Antigamente, a caça as tartarugas era algo comum, e a caça a seus ovos também, hoje podemos dizer que esses males não influenciam mais devido ao trabalho de 30 anos de conscientização junto a populações costeiras. A poluição marinha é também um risco muito grande, pois tartarugas não dispensam comida fácil, e acabam muitas vezes comendo lixo e morrendo, principalmente sacos plásticos, que se assemelham a medusas e moluscos (alimento de algumas espécies).
As tartarugas marinhas são de extrema importância para o ecossistema marinho, ajudam a manter o equilíbrio da quantidade de indivíduos de algumas espécies, ajudam na reciclagem de nutrientes, formação de novas áreas de pastagem, ajudando outras espécies e mantendo o equilíbrio de energia do ecossistema.
Agora que você sabe um pouco mais sobre esse animal fantástico, porque não transmitir essa ideia adiante. A melhor forma de preservar, é conhecendo os hábitos do animal. Sendo animais com tantas características exclusivas, e estando no mundo há tantos anos, as tartarugas marinhas merecem ser preservadas e acima de tudo nosso respeito. O importante é sempre procurar preservar a vida, independente da forma, tamanho, cor, idade dessa vida. Preservar é manter... manter é viver!
Assistam também a animação "As aventuras de Sammy"!
Para saber um pouco mais, acessem: www.tamar.org.br - ou visitem uma das unidades do Projeto Tamar!
(crédito da figura: http://www.artefarrell.blogspot.com.br/)




